Cibersegurança no Brasil em 2026: o que o cenário revela sobre o risco corporativo

 

Os dados e incidentes registrados ao longo de 2026 mostram um ambiente de cibersegurança pressionado por diferentes frentes.

O volume de atividade maliciosa permanece elevado no Brasil, enquanto ataques alcançam credenciais, ferramentas legítimas, fornecedores e processos diretamente ligados à operação. A adoção de inteligência artificial também acrescentou novas questões sobre o uso e a proteção de informações corporativas.

Analisar esse cenário exige olhar além da quantidade de ataques. Os casos deste ano ajudam a entender onde a exposição está aumentando e como as empresas brasileiras estão respondendo.

O Brasil permanece acima da média global de ataques

Em junho de 2026, organizações brasileiras registraram, em média, 4.001 ataques cibernéticos por semana. Em julho, a média chegou a 4.151.

No mesmo mês, a média global foi de 2.336 ataques semanais por organização. Na América Latina, foram 3.561.

Esses números representam atividade maliciosa detectada pelas ferramentas de inteligência da Check Point Research. Não significam que cada organização tenha sofrido milhares de invasões bem-sucedidas.

Ainda assim, a recorrência acima de quatro mil registros semanais no Brasil em junho e julho ajuda a dimensionar a pressão sobre os ambientes corporativos.

O volume, porém, explica apenas uma parte do cenário. Os casos registrados em 2026 mostram que também importa observar onde um ataque consegue interferir na operação.

O impacto pode aparecer dentro do próprio processo de negócio

Em setembro de 2026, a Kaspersky informou ter identificado 90 lojas virtuais brasileiras infectadas por um código capaz de substituir o QR Code Pix exibido durante o checkout.

O consumidor acreditava estar pagando pela compra, mas o código poderia direcionar o valor para uma conta controlada pelos criminosos. Para o comércio, a transação poderia permanecer como pendente ou aparecer como abandonada.

O caso mostra uma consequência que não fica restrita ao comprometimento de um equipamento.

O ataque interferia diretamente em uma etapa do processo de venda e recebimento.

Esse tipo de ocorrência amplia o que precisa entrar em uma análise de risco. Quando vendas, faturamento, atendimento, pagamentos, logística ou produção dependem de sistemas digitais, a segurança desses recursos também tem relação com a continuidade da operação.

Uma atividade maliciosa pode utilizar uma ferramenta legítima

Outro caso identificado em 2026 no Brasil mostra por que nem todo ataque começa com um programa facilmente reconhecido como malicioso.

Em junho, pesquisadores analisaram uma campanha de phishing direcionada a organizações brasileiras que utilizava falsos portais empresariais em português e engenharia social por telefone.

A campanha induzia a vítima a instalar um agente legítimo do NinjaOne, plataforma de gerenciamento remoto. O software era então configurado para se conectar à infraestrutura controlada pelos atacantes.

Nesse cenário, uma ferramenta comercial legítima era utilizada para obter acesso ao equipamento.

Isso reforça a necessidade de observar também quem acessa o ambiente, quais recursos estão sendo utilizados e se aquela atividade corresponde ao comportamento esperado.

Antivírus, firewall e EDR cumprem funções diferentes dentro dessa proteção porque os sinais de uma atividade suspeita também podem aparecer de maneiras diferentes.

A Exact aprofundou essa mudança nas portas de entrada dos ataques em outro conteúdo sobre cibersegurança corporativa em 2026.

Cibersegurança corporativa: o que mudou nos ataques e o que precisa mudar na defesa

A exposição também passa pelos fornecedores

A operação de uma empresa pode depender de plataformas, prestadores de serviço, sistemas em nuvem e parceiros que possuem algum nível de acesso aos seus recursos ou informações.

Esse relacionamento entrou com mais força na agenda de cibersegurança em 2026.

Em uma pesquisa divulgada pela Kaspersky em maio, 76% das empresas brasileiras entrevistadas afirmaram estar dispostas a contribuir financeiramente para melhorar a segurança digital de fornecedores e parceiros.

O número mede disposição para investir. Não significa que 76% das empresas já realizem esse investimento.

O dado é relevante porque mostra que a segurança de terceiros está sendo percebida como parte da própria exposição da empresa.

Quando um fornecedor acessa sistemas, dados ou processos corporativos, esse acesso também precisa ter responsáveis, permissões e critérios de controle definidos.

A análise deixa de considerar apenas quem trabalha dentro da organização e passa a incluir quem consegue entrar no ambiente a partir de fora.

A inteligência artificial entrou na agenda de segurança corporativa

O uso empresarial de inteligência artificial trouxe outra camada de exposição em 2026.

O relatório ISG Provider Lens Cybersecurity 2026 para o Brasil identificou maior atenção das empresas brasileiras à segurança das aplicações de IA utilizadas no ambiente corporativo.

Segundo a ISG, organizações estão reforçando a supervisão dessas aplicações para reduzir o risco de exposição de informações sensíveis e estruturando práticas mais consistentes de gestão de vulnerabilidades.

O desafio não se resume a permitir ou proibir uma ferramenta.

A empresa precisa entender quais aplicações estão sendo utilizadas, quais informações podem ser inseridas nelas e quais controles acompanham esse uso.

Conforme a IA entra em atividades cotidianas, o tratamento dos dados compartilhados com essas ferramentas também passa a fazer parte da política de segurança.

As empresas brasileiras estão mudando a forma de responder

O panorama de 2026 também mostra uma mudança na própria gestão da cibersegurança.

O estudo da ISG para o Brasil identifica uma migração de práticas predominantemente reativas para abordagens mais contínuas e estratégicas.

Entre os movimentos observados estão monitoramento contínuo, análise de ameaças com apoio de IA, resposta mais rápida a incidentes e priorização de vulnerabilidades conforme o impacto para o negócio.

Essa priorização importa porque ambientes corporativos produzem diferentes alertas, vulnerabilidades e ocorrências.

Tratar tudo da mesma forma não ajuda a definir onde agir primeiro.

A criticidade do recurso afetado, seu nível de exposição e a consequência para a operação ajudam a determinar o que precisa receber atenção antes.

A mudança está justamente em deixar de esperar que um problema se torne visível para então começar a analisá-lo.

O que o cenário de 2026 muda na análise de segurança

Os movimentos observados neste ano ampliam as perguntas que precisam fazer parte de uma revisão do ambiente.

Quais sistemas sustentam processos que não podem ser interrompidos?

Quem possui acesso a esses recursos e por quais dispositivos?

Quais fornecedores conseguem acessar sistemas ou informações da empresa?

Como ferramentas de IA estão sendo utilizadas pelas equipes?

Quais vulnerabilidades representam maior risco para a operação?

Quem acompanha os alertas e define o que precisa ser tratado primeiro?

Quem assume a resposta quando um incidente é identificado?

Responder a essas perguntas ajuda a relacionar a estratégia de segurança ao ambiente real da empresa.

Firewall, antivírus, EDR, gestão de dispositivos, treinamento e resposta a incidentes cumprem funções diferentes dentro dessa estrutura. A combinação necessária depende dos sistemas, acessos, dispositivos e riscos presentes em cada operação.

A Exact Solution atua nessas frentes dentro da gestão e segurança de ambientes corporativos.

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Se sistemas, usuários, fornecedores e formas de acesso mudaram ao longo de 2026, a estrutura de segurança também precisa ser revista considerando o ambiente atual.

Converse com a Exact para avaliar quais pontos precisam ser priorizados.

Perguntas frequentes

Quantos ataques cibernéticos foram registrados no Brasil em 2026?

Em junho de 2026, organizações brasileiras registraram média de 4.001 ataques cibernéticos por semana. Em julho, a média chegou a 4.151 ataques semanais por organização, segundo dados da Check Point Research. Esses registros representam atividade maliciosa detectada, não invasões necessariamente bem-sucedidas.

Quais riscos aparecem no cenário de cibersegurança de 2026?

Os casos e pesquisas analisados mostram riscos relacionados a phishing, uso indevido de ferramentas legítimas, comprometimento de processos digitais, acesso de terceiros, vulnerabilidades e exposição de informações em aplicações de inteligência artificial.

Por que a segurança de fornecedores precisa entrar na análise?

Porque fornecedores e parceiros podem ter acesso a sistemas, dados ou processos da empresa. Quando essa relação existe, as permissões e condições de acesso passam a fazer parte da superfície de exposição.

Como a inteligência artificial entra na discussão de cibersegurança?

O uso de aplicações de IA pode envolver informações corporativas e dados sensíveis. Em 2026, o estudo da ISG para o Brasil identificou maior atenção das empresas à supervisão dessas aplicações e à proteção das informações utilizadas nelas.

O que significa uma abordagem proativa de cibersegurança?

Significa acompanhar continuamente o ambiente, identificar exposições, priorizar vulnerabilidades e estabelecer processos de resposta antes de depender apenas da reação depois que um problema já afetou a operação.

Uma única ferramenta consegue proteger todo o ambiente?

Não. Firewall, antivírus, EDR, gestão de dispositivos e outros controles cumprem funções diferentes. A estrutura adequada depende dos recursos, acessos, dispositivos e riscos presentes no ambiente da empresa.

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