
A exploração de vulnerabilidades passou a ocupar um espaço maior entre as portas de entrada usadas em ataques.
No Data Breach Investigations Report 2026, da Verizon, este vetor respondeu por 31% dos acessos iniciais em violações analisadas. O abuso de credenciais, que liderava anteriormente, ficou em 13%.
Antivírus e firewall continuam fazendo parte da proteção. O que esses números mostram é que a defesa precisa cobrir diferentes pontos do ambiente, desde falhas em sistemas até acessos e atividades suspeitas nos dispositivos.
As portas de entrada mudaram de peso
Uma vulnerabilidade sem correção pode permitir o acesso ao ambiente. Uma credencial comprometida pode ser usada para entrar com um login válido. Uma conta que deveria ter sido desativada também pode permanecer disponível para uso indevido.
Quando um invasor usa uma credencial válida, o acesso pode parecer legítimo. Nesse tipo de entrada, pode não haver um arquivo malicioso para o antivírus detectar. A defesa precisa observar também padrões de acesso, comportamento dos dispositivos e outros sinais fora do esperado.
As vulnerabilidades exigem atenção igualmente próxima. Segundo o DBIR 2026, apenas 26% das vulnerabilidades críticas que constavam no catálogo de vulnerabilidades conhecidas e exploradas da CISA foram totalmente corrigidas pelas organizações em 2025. O tempo mediano para a resolução completa chegou a 43 dias.
Na prática, a aplicação de atualizações e correções de segurança precisa fazer parte do processo de proteção, com prioridade definida de acordo com o risco.
O que a defesa precisa incluir
Diferentes camadas cumprem funções diferentes dentro da segurança corporativa.
Antivírus e EDR
O antivírus continua sendo uma camada de proteção dos dispositivos contra códigos e arquivos maliciosos.
O Endpoint Detection and Response (EDR) amplia a visibilidade sobre o que acontece nesses dispositivos. A tecnologia acompanha eventos e comportamentos nos endpoints para ajudar a identificar atividades suspeitas e apoiar a investigação e a resposta.
Isso se torna especialmente relevante quando o indício de comprometimento está no comportamento do dispositivo, e não apenas em um arquivo identificado como malicioso.
Firewall
O firewall controla o tráfego entre redes e sistemas conforme as políticas de segurança definidas pela empresa.
Sua atuação depende da configuração e das regras aplicadas ao ambiente. Por isso, não basta instalar a ferramenta e considerar a camada de rede resolvida. Mudanças na infraestrutura e nos sistemas precisam ser refletidas nessas configurações.
Controle de acesso
A gestão de acessos determina quem pode entrar em cada sistema e quais permissões cada usuário possui.
Contas que permanecem ativas após um desligamento, acessos que já não correspondem à função do colaborador e credenciais sem uso que continuam disponíveis aumentam a superfície de exposição.
Esse controle precisa acompanhar as mudanças de pessoas, funções e sistemas dentro da empresa.
Atualizações e monitoramento
Novas vulnerabilidades são descobertas continuamente, e algumas delas já estão sendo exploradas quando entram no radar das equipes de segurança.
A aplicação de correções precisa considerar a criticidade da falha e a exposição do sistema afetado. O monitoramento complementa esse trabalho ao dar visibilidade sobre eventos que precisam ser investigados.
O impacto nas pequenas e médias empresas
O porte da empresa não elimina o impacto financeiro de uma violação.
Na análise da Verizon publicada em 2026, os casos mais severos entre pequenas e médias empresas, correspondentes aos 2,5% superiores da amostra, registraram perdas acima de 7% da receita.
Esse número representa situações extremas, não o impacto médio de um incidente. Ainda assim, mostra por que o risco precisa ser considerado de acordo com a operação, os sistemas utilizados e a exposição do ambiente.
A estrutura de segurança também precisa seguir essa realidade. Nem toda empresa exige a mesma combinação de ferramentas e processos.
O que muda com uma gestão contínua de cibersegurança
Ferramentas de segurança precisam ser acompanhadas depois da implantação.
Um colaborador que deixa a empresa exige revisão dos acessos. Uma vulnerabilidade crítica exige análise e correção. Um alerta gerado pelo EDR precisa ser investigado. Mudanças no ambiente podem exigir revisão das regras do firewall.
Para que essas ações ocorram no momento adequado, precisam existir responsáveis e processos definidos.
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Perguntas frequentes
Por que antivírus e firewall precisam ser combinados com outras camadas de segurança?
Porque os ataques podem começar por diferentes caminhos, como vulnerabilidades de software, credenciais comprometidas e técnicas de engenharia social. Antivírus e firewall cumprem funções específicas, enquanto outras tecnologias e processos ampliam a visibilidade sobre endpoints, acessos e eventos do ambiente.
O que é EDR?
EDR é a sigla para Endpoint Detection and Response. A tecnologia acompanha eventos e comportamentos nos dispositivos para ajudar a identificar atividades suspeitas, investigar ocorrências e responder a ameaças nos endpoints.
Credenciais de ex-colaboradores representam risco?
Uma conta que continua ativa após o desligamento permanece como um possível ponto de acesso ao ambiente. Por isso, a desativação de credenciais precisa fazer parte do processo de saída do colaborador.
Com que frequência a estrutura de segurança precisa ser revisada?
O monitoramento ocorre continuamente, enquanto acessos, configurações e atualizações precisam seguir critérios e frequências definidos de acordo com o ambiente e o nível de risco. Mudanças em sistemas, infraestrutura e equipe também podem exigir novas revisões.
Uma empresa de médio porte precisa manter uma equipe interna dedicada à cibersegurança?
Não necessariamente. A empresa pode manter parte da gestão internamente e contratar um parceiro especializado para assumir atividades definidas no escopo. O importante é estabelecer claramente quem monitora, quem responde aos alertas e quem executa as ações necessárias.